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O quadro regulamentar da Austrália está a entrar numa nova fase, caracterizada não só por requisitos de conformidade, mas também pela capacidade de os comprovar com provas claras e auditáveis. Embora estas mudanças sejam específicas da Austrália, refletem uma tendência global mais ampla no sentido da resiliência operacional, da responsabilização e da visibilidade em tempo real.

Em 2026, pede-se aos responsáveis pela GRC que vão além da gestão de políticas e se concentrem na deteção precoce de riscos, em dados prontos para auditoria e no alinhamento interfuncional. As organizações que encaram a governação como uma capacidade estratégica, em vez de um fardo operacional, estarão melhor posicionadas para se adaptarem à medida que as expectativas regulamentares continuam a evoluir.

 

A transição para a conformidade comprovada

Durante muitos anos, as organizações australianas funcionaram segundo um modelo baseado em princípios e assente na confiança implícita. A existência de políticas e controlos era, muitas vezes, suficiente para demonstrar a conformidade.

Esse modelo está a evoluir. As entidades reguladoras esperam agora que as organizações apresentem provas mensuráveis e fundamentadas de que os controlos estão a funcionar eficazmente na prática. Os organismos de supervisão, incluindo a APRA, a ASIC, a AUSTRAC e a OAIC, estão cada vez mais alinhados nesta expectativa. O foco está a passar da simples existência dos controlos para a possibilidade de os validar em qualquer momento.

Isto representa mais do que uma simples atualização em matéria de conformidade. Assinala uma mudança mais ampla na forma como as organizações concebem e gerem os seus programas de gestão de riscos e conformidade.

As organizações devem dar prioridade a dados centralizados e auditáveis e reduzir a dependência de processos manuais que limitam a visibilidade e aumentam o risco.

 

O panorama regulatório da Austrália em 2026

A norma CPS 230, com entrada em vigor em julho de 2025, introduz um quadro unificado para a gestão do risco operacional, da continuidade das atividades e do risco de terceiros.

Os principais requisitos incluem:

  • Níveis de tolerância aprovados pelo Conselho de Administração
  • Planos de continuidade testados
  • Mapeamento de prestadores de serviços para além das folhas de cálculo
  • Regularização dos contratos existentes até 1 de julho de 2026

As organizações devem integrar o risco de terceiros, a continuidade de atividades e o risco operacional numa estrutura coordenada, apoiada por visibilidade em tempo real.

 

FAR: Reforçar a responsabilização dos executivos

O Regime de Responsabilidade Financeira aplica-se agora aos setores bancário, dos seguros e das pensões de reforma.

Os executivos são responsáveis por:

  • Declarações de responsabilidade
  • Remuneração diferida ligada ao desempenho
  • Demonstrar que foram tomadas medidas razoáveis na gestão do risco

Uma visão clara sobre a responsabilidade pelos riscos e o desempenho dos controlos é essencial para apoiar a tomada de decisões informadas ao nível da direção.

 

Reforma da privacidade e risco de litígio

As atualizações recentes introduzem um delito civil previsto na lei para casos de violações graves da privacidade, aumentando o risco de litígios.

Os fatores de risco incluem:

  • Utilização indevida de dados pessoais
  • Violação da privacidade
  • Tratamento imprudente de informações confidenciais

A minimização de dados e práticas mais rigorosas de governação de dados podem ajudar a reduzir a exposição, melhorando simultaneamente a eficácia geral do controlo.

 

Requisitos de comunicação de incidentes cibernéticos

A obrigação de comunicar os pagamentos feitos a ransomware já está em vigor ao abrigo da Lei de Cibersegurança de 2024.

As organizações devem comunicar a situação no prazo de 72 horas, indicando, nomeadamente:

  • Detalhes do pagamento
  • Natureza do ataque
  • Vulnerabilidades exploradas
  • Impacto nos negócios

Os processos de resposta a incidentes devem ser coordenados de forma a cumprir as obrigações regulamentares e apoiados por dados oportunos e precisos.

 

Expansão da 2.ª Fase do Programa AML/CTF

Até julho de 2026, mais 100 000 entidades passarão a estar sujeitas às obrigações em matéria de combate ao branqueamento de capitais, alargando significativamente o âmbito da conformidade em setores como o jurídico, o contabilístico e o imobiliário.

Os setores recentemente regulamentados devem implementar:

  • Programas de combate ao branqueamento de capitais
  • Verificação da titularidade efetiva
  • Processos de elaboração de relatórios
  • Recrutamento para ensaios clínicos

As organizações que partem de um nível de referência baixo devem dar prioridade a estruturas escaláveis que permitam uma implementação rápida e a conformidade contínua.

 

Requisitos de divulgação de informações climáticas

Os requisitos de prestação de contas em matéria de clima serão alargados a partir de julho de 2026, com expectativas de garantia cada vez maiores ao longo do tempo.

Os dados climáticos devem ser geridos com o mesmo rigor que os dados financeiros, incluindo a preparação para auditorias e a rastreabilidade.

 

A Importância Crescente das Provas

As expectativas regulatórias estão a passar dos resultados de recuperação para o desempenho dentro de limites definidos.

Anteriormente, as organizações concentravam-se na rapidez com que os sistemas podiam ser restaurados após uma interrupção. Agora, espera-se que se mantenham dentro dos níveis de tolerância aprovados durante as interrupções.

Esta mudança reforça a importância de se dispor de uma visibilidade contínua do desempenho dos controlos e da capacidade de apresentar provas sempre que necessário. O acompanhamento manual e os sistemas fragmentados podem criar lacunas nas provas, enquanto abordagens mais integradas melhoram a coerência e reduzem a pressão operacional.

 

Principais marcos regulamentares para 2026

  • 31 de março de 2026 As alterações às regras em matéria de combate ao branqueamento de capitais e ao financiamento do terrorismo entram em vigor e tem início a inscrição na Fase 2
  • 1 de julho de 2026 Prazo para a correção contratual do CPS 230 A conformidade com as normas AML/CTF passa a ser obrigatória para a Tranche 2 Entram em vigor os requisitos de divulgação de informações climáticas para as entidades do Grupo 2
  • Dezembro de 2026 Entram em vigor os requisitos de transparência relativos à tomada de decisões automatizada
  • Perspetivas futuras A apresentação de relatórios climáticos do Grupo 3 tem início em julho de 2027 Requisitos de verificação alargados até 2030

Vários prazos regulamentares estão a coincidir, o que aumenta a necessidade de um planeamento coordenado entre as equipas.

 

Uma abordagem prática para os responsáveis pela GRC

As organizações que encaram estes requisitos como iniciativas isoladas podem deparar-se com ineficiências e lacunas. Uma abordagem mais eficaz consiste em abordá-los no âmbito de uma estratégia unificada de dados e risco.

  • Abordar atempadamente os riscos associados a terceiros Concentrar-se na correção de contratos e no mapeamento de dependências para compreender de que forma as perturbações podem afetar as operações críticas.
  • Reforçar a gestão de evidências Estabelecer processos para recolher e manter dados com data e hora registradas e prontos para auditoria em todos os controlos.
  • Melhorar a governação de dados Reduzir o armazenamento desnecessário de dados e melhorar a visibilidade sobre a forma como os dados sensíveis são geridos.
  • Reenquadrar o GRC como um facilitador do negócio Posicionar o GRC como um motor da tomada de decisões informadas, da resiliência operacional e do desempenho empresarial, em vez de um centro de custos.

 

Preparar-se para o que está para vir

A procura por profissionais experientes na área de GRC continua a crescer, tornando-se cada vez mais importante apoiar as equipas com soluções escaláveis e baseadas na tecnologia.

As organizações que combinam equipas qualificadas com plataformas integradas estarão mais bem preparadas para gerir a complexidade e manter a conformidade ao longo do tempo.

 

Seguir em frente

O panorama regulamentar está a evoluir rapidamente, mas as organizações têm a oportunidade de adotar uma abordagem mais proativa e estruturada.

A Archer ajuda as organizações a centralizar os dados relativos aos riscos, a automatizar os processos de controlo e a obter a visibilidade necessária para garantir a conformidade com os requisitos de auditoria.

Contacte-nospara saber como a Archer pode ajudá-lo a preparar-se para os próximos prazos regulamentares e a reforçar a sua abordagem em matéria de risco e conformidade.

Perguntas frequentes

Quais são as principais alterações regulamentares que afetarão os responsáveis pela GRC na Austrália em 2026?

Em 2026, os responsáveis australianos pela GRC enfrentam uma convergência de atualizações regulamentares nas áreas da resiliência operacional, do risco de terceiros, da privacidade, da cibersegurança e da divulgação de informações climáticas. Quadros normativos como o CPS 230 da APRA estão a elevar as expectativas em matéria de responsabilização do conselho de administração, de planos de continuidade testados e de uma supervisão mais rigorosa dos prestadores de serviços externos. Ao mesmo tempo, as obrigações alargadas em matéria de combate ao branqueamento de capitais e ao financiamento do terrorismo (AML/CTF) e as novas medidas de aplicação da legislação em matéria de privacidade estão a aumentar a necessidade de uma conformidade comprovável e pronta para auditoria em todos os setores.

Por que razão a «conformidade comprovada» está a tornar-se uma prioridade no quadro regulamentar da Austrália?

As entidades reguladoras estão a passar de uma abordagem centrada na existência de controlos para uma abordagem centrada na capacidade das organizações de provarem que esses controlos estão a funcionar eficazmente em tempo real. Isto significa que as empresas têm de ir além da documentação estática e adotar práticas de conformidade contínuas e baseadas em evidências. As entidades de supervisão esperam, cada vez mais, provas rastreáveis e com data e hora do desempenho dos controlos, em vez de relatórios periódicos ou atestados manuais.

Como devem as organizações preparar-se para os requisitos de conformidade em evolução da Austrália para 2026?

As organizações devem adotar uma abordagem mais integrada em matéria de governação, risco e conformidade, alinhando o risco operacional, o risco de terceiros e a monitorização da conformidade numa estrutura unificada. As principais prioridades incluem o reforço da gestão de evidências, a melhoria da governação de dados e a automatização da validação de controlos, com vista a reduzir a dependência de processos manuais. Encarar a GRC como uma disciplina interligada e orientada por dados ajuda as organizações a melhorar a resiliência, mantendo-se, ao mesmo tempo, a par dos prazos regulamentares que se sobrepõem.